O melhor conselho

Ter um filho ainda infante é uma aventura agridoce — com coisas fáceis e outras mais desafiantes. No meio das “afinações” que vamos fazendo para ajudá-lo a construir o seu caráter, no sentido cristão da palavra, damos dezenas os pequenos conselhos e ordens (proporcionais à sua idade), virados para questões do dia a dia: “Espera! O frango está quente!”; “Cuidado, o chão está molhado. Podes cair!”; “Come devagar.”, etc.

Ao longo da vida do meu filho esses conselhos passarão para assuntos mais complexos, proporcionais também no tempo, pois muitos vão-se refletir no seu futuro a médio/longo prazo. E esperamos, ao longo do seu crescimento, ir caminhando lado a lado enquanto ele descobre Deus, os outros, a vida, num mundo cada vez mais complexo, em que ser sal que salga e luz que ilumina é um verdadeiro desafio!


Talvez seja cedo para isso, mas penso: que conselho daria ao meu filho hoje, se ele fosse adolescente e vivesse o turbilhão moral, social, político e religioso em que nos encontramos? A sedução do que é momentâneo e fácil por oposição ao que e bom e agradável a Deus. As incongruências entre discursos e realidades, entre as mensagens pronunciadas e o (mau) caráter. Mais uma vez, como não podia deixar de ser, vieram-me à memória as palavras de um pai para o seu filho — do apóstolo Paulo, nos seus últimos dias de vida, para o jovem pastor e seu filho espiritual Timóteo.

Ao falar dos tempos trabalhosos que viriam, Paulo faz uma radiografia com que nos poderemos identificar: “Há uma coisa que é preciso que saibas: é que nos últimos tempos da história deste mundo hão ­de vir grandes dificuldades. Haverá gente amante de si própria, tendo a paixão da avareza, pessoas presunçosas e arrogantes, falando mal de Deus, desobedientes aos seus pais, sem sentimentos de gratidão, sem consideração pelas coisas espirituais, sem ter sequer aquela afeição que existe naturalmente nos seres humanos, incapazes de se reconciliarem com os adversários, caluniadores, incapazes de dominar os instintos, cruéis, inimigos do bem, traidores, obstinados, orgulhosos, deixando que os deleites tomem, no seu íntimo, o lugar que Deus queria ocupar. Serão capazes de manter uma aparência de religião, mas sem acreditar na sua força. Afasta­-te deles.” (2 Timóteo 3:1-5, OL)

Depois de continuar a explicar o tipo de situações e pessoas que surgiriam no futuro, Paulo dá o seu exemplo de fidelidade a Cristo e à Palavra, independentemente das perseguições de que foi alvo, e termina com “chave-de-ouro”: “Tu, porém, permanece nas coisas que aprendeste e aceitaste. Sabes que são verdade, porque sabes que podes confiar naqueles que te ensinaram. Desde pequenino conheces as santas Escrituras. São elas que te dão a verdadeira sabedoria e que conduzem à salvação, pela fé em Cristo Jesus. Porque toda a Escritura é inspirada por Deus e é útil para nos ensinar, para nos repreender, para nos corrigir, para nos instruir no caminho da justiça; para que todo aquele que pertence a Deus seja reto e perfeitamente habilitado a executar o que é bom.” (2 Timóteo 3:14-17, OL)

E o conselho continua válido, hoje, para mim, para nós, e continuará para o meu filho e para as gerações vindouras. Precisamos ser pessoas de exemplo. Somos imperfeitos e estamos no processo — não vale a pena tentar esconder a verdade — mas precisamos continuar a deixar que Cristo seja formado em nós, sendo conhecidos pelo fruto que o Espírito Santo produz em nós, mesmo nas piores circunstâncias. Vamos falhar, mas sejamos humildes para reconhecer e sábios para aprender, seguindo em frente.


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Além disso, dar primazia à Palavra de Deus. As pessoas (mesmo as mais proeminentes) podem mudar a sua opinião acerca de assuntos basilares da fé, da moral bíblica, dos mandamentos de Deus, para agradar aos que as escutam, podem passar a ter comportamentos ou estilos de vida contrários à Sua boa vontade, MAS o que conta é aquilo que Deus disse, diz e dirá, porque Ele não muda! É por isso que, usando métodos diversos conforme as idades e as culturas, precisamos não esquecer que o conteúdo daquilo que proclamamos não são meras ideias ou frases feitas, mas a Palavra de Deus, imutável, poderosa, verdadeira. Proclamar a verdade em amor, sempre, porque amor sem verdade não é amor – é engano.

Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, setembro 2017. Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

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