07 fevereiro 2017

Os mortos vão caminhar pela Terra…

Lembro-me de quando era mais novo, talvez com 16 anos ou assim, ter-me armado em herói e visto um daqueles filmes pouco recomendados para qualquer mente inteligente. Era um filme com zombies e eram aos magotes deles.

 O que acabei por reter do filme, além dos sustos que apanhei, foi uma frase que uma das personagens dizia: “O meu avô costumava dizer, um dia quando o Inferno estiver cheio, os mortos vão caminhar pela Terra…”.

05 fevereiro 2017

Deus não dorme

Pé ante pé, enquanto à sua volta murmuravam gritos exacerbados de dor e mágoa, recostava-se naquele canto escuro, escondida a tremer. E não era de frio.

O coração quebrado em pedaços trazia-lhe uma dor tão forte cá dentro que não era capaz de disfarçar, mesmo que o sorriso forçado do “Está tudo bem” tentasse camuflar a realidade enquanto se distraía, no trabalho. Mas agora, no fim do dia, quando regressava a casa, temia e tremia pelas razões erradas. O que iria despoletar a ira? Não sabia, mas tinha quase a certeza que ela estaria presente, mais uma vez, para acabar com os poucos minutos de sossego da família.

10 janeiro 2017

A palavra R

Nunca existiu até certo dia. E até esse dia, nunca se tinha pensado nela. Apareceu por um motivo não muito bom. Afinal, aquilo que trouxe consigo foi um confronto e um afastamento. A palavra R criou uma separação entre o Homem e Deus, entre o Homem e o Éden, e entre o próprio Homem. 

A partir daquele dia, tudo o que aparecia associado à palavra R era mau. E só produzia coisas más. Assassínios, escravatura, guerras, só para falar em coisas básicas. Experiências nada agradáveis…

08 janeiro 2017

Teresa — até que todos ouvissem...

Ligeira, miudinha, sempre com um sorriso nos lábios e uma palavra de encorajamento. A Teresa era assim...

Lembro-me da Teresa chegar às aulas de Educação Moral e Religiosa Evangélica com uma amiga — mais uma — a quem não teve vergonha de falar de Jesus, mesmo tratando-se de uma coisa tão estranha e diferente até para uma escola artística. E lembro-me da sua preocupação com a vida dos amigos que não conheciam Jesus.

Partiu cedo, com apenas 23 anos, mas além da saudade deixou-nos uma herança, uma lição, um exemplo: espalhar o amor de Deus e a Sua Palavra até que todos a ouvissem. Sem megafone, mas com um grande coração. Sem muita erudição, mas com sabedoria e ousadia de Deus.

15 dezembro 2016

Quando menos é mais

Aoshi, 26 anos, negociador de títulos na Bolsa de Tóquio, coloca a chave à porta de casa. Ao entrar, respira fundo e contempla o espaço em vazio, que outrora fora ocupado por várias mobílias estilo chic da Harvey’s. Não se sente desapontado, ao invés, o espaço livre permite-lhe respirar e fazê-lo sentir-se menos preso ao espírito consumista que alastrou pelo seu país.

Por oposição à corrente de consumo desenfreado, o Japão vive atualmente tempos de minimalismo. Divisões amplas menos mobiladas, menos apetrechos tecnológicos, maior simplicidade nas posses. Um caso a ter em conta…